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12/Abril/2010
Diário de S. Paulo

De bem com o meio ambiente


Viver em casas e apartamentos sustentáveis não faz bem só para o planeta: o bolso também agradece


Marcos Carrieri

Não é de hoje que se fala em sustentabilidade. É quase obrigação fazer as atividades mais simples do dia a dia sem pensar no reflexo que cada ação leva ao meio ambiente. Não basta, por exemplo, jogar o lixo no lixo. Deve-se reciclá-lo. Reciclar o papel não é suficiente: pode-se comprá-lo reciclado. Deixar a casa limpa é fundamental, mas economizar água também. Jogar óleo pela pia, nem pensar.

A sustentabilidade também chega à construção civil. É preciso e possível erguer uma casa ou condomínio que use da melhor forma, depois de pronta, os recursos naturais. Segundo o diretor de sustentabilidade do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Hamilton de França Leite Júnior, uma construção produz, em média, 50 quilos de resíduos por metro quadrado. Uma reforma consome 150 kg/m².

"Hoje as construtoras trabalham para reduzir a quantidade de resíduos e para dar a eles um destino correto e reciclá-los. Mas a pessoa que faz reforma em casa produz uma quantidade maior de resíduo e não lhes dá o destino certo", diz Hamilton.

Não é só na obra que o meio ambiente precisa ser preservado. Depois que o imóvel fica pronto os cuidados aumentam. E até unidades antigas podem colaborar para preservar o meio ambiente. O diretor de condomínios do Secovi-SP, Sergio Meira de Castro Neto, indica algumas iniciativas que um condomínio pode ter para consumir menos.

A maioria das mudanças é simples. Nas áreas comuns, o condomínio pode trocar as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes compactas. "Gastam menos energia e duram mais. Mas só economizam quando ficam mais de uma hora ligadas", afirma Sergio. Outra dica do especialista é trocar os motores de elevadores antigos. "Os sistemas atuais consomem até 40% menos energia que os outros".

Já é possível instalar um sensor de presença de pessoas na garagem. Em horários de pouco movimento todas as luzes do estacionamento do condomínio se apagam. Quando uma pessoa chega ao local, todas acendem.

As economias (e o uso consciente dos recursos naturais) não acabam aí. O dono do imóvel pode, por exemplo, trocar o sistema de descarga do banheiro. Hoje há caixas que liberam fluxos de três ou seis litros de água. Os sistemas antigos liberam até 20 litros de água de uma só vez.

"O aparelho que gasta mais água é o chuveiro. As pessoas podem instalar uma válvula redutora de pressão, que diminui a quantidade de água que passa pelo cano. Custa pouco (cerca de R$ 10) e a economia de água chega a 40%. É um benefício imediato", diz Sergio. Esta válvula pode ser instalada nas torneiras, que também podem ter sensores ou válvulas que as desligam sozinhas.

Retorno garantido - As casas sustentáveis ainda não são maioria na cidade nem devem se tornar populares em pouco tempo. Mas os conceitos aplicados nelas podem ser usados nas casas atuais. Um verdadeiro imóvel sustentável é aquele que tem uma área maior para entrada da luz, privilegia a circulação do ar e consome menos recursos naturais renováveis entre outros recursos.

De acordo com o diretor de sustentabilidade do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Hamilton de França Leite Júnior, ainda há no mercado falta de informação sobre os reais custos extras de um imóvel construído sob o conceito de sustentabilidade. "Os construtores estimam que os custos são entre 20% e 30% maiores, mas as obras mostram que o aumento fica entre 2% e 8%", afirma Hamilton.

Integrante da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea) e sócia-diretora da Pentagrama Projetos em Sustentabilidade, a arquiteta Marcia Mikai Junqueira de Oliveira afirma que nem sempre uma casa que respeite o meio ambiente é mais cara. "A implantação desses sistemas (captação de água da chuva e painel de energia solar) gera retorno de investimento a partir do uso das edificações ao longo do tempo".

Marcia lembra que uma casa que realmente respeite o meio ambiente precisa ser projetada considerando a região em que está, como a fauna, flora e até se há um sítio arqueológico no local. "Se questões como essas forem desconsideradas já pode configurar a 'insustentabilidade' no ponto de partida", diz. Se não é possível construir, pode-se trocar equipamentos que consomem muita água e energia.

De acordo com Marcia, as reformas oferecem a chance de tornar o imóvel mais "amigo" do meio ambiente. "Nas reformas em geral reside a grande oportunidade de viabilizar que as cidades tornem-se mais sustentáveis: 80% das edificações existentes hoje ainda estarão presentes na cidade em 30 anos, com suas instalações hidráulicas e elétricas obsoletas", afirma.



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