Embora a liderança possa parecer algo natural, é uma qualidade que pode e deve ser desenvolvida nos escritórios de arquitetura. Existem profissionais cujo perfil é mais adequado para exercê-la; nesses casos, faz-se necessário apenas um refinamento para que tal qualidade não se torne algo desagradável entre a equipe.
A formação de um líder depende de vários fatores: complexidade e dimensão dos projetos desenvolvidos, ambiente adequado, oportunidades, acesso a informações, talento e, sobretudo, estrutura emocional para suportar pressão, tanto dos titulares quanto da equipe de colaboradores.
"Líder não é aquele que coordena todos os projetos, mas aquele que tem conhecimento técnico, habilidade para relacionamentos e facilidade para a comunicação com as pessoas do escritório", diz o arquiteto Antonio Malicia, sócio do escritório Batagliesi Associados.
Técnicas
Existem técnicas que podem aprimorar e desenvolver as lideranças. No caso do escritório Orbi Projetos e Resultados, contratou-se uma empresa de consultoria de RH, que fez assessorias de treinamento e acompanhamento para estimular e depurar os líderes no escritório. Foram desenvolvidas técnicas para aprender a ouvir, a dar "feedback" e para que os profissionais fossem mais assertivos, com o intuito de melhorar as lideranças internas.
"Optamos por fazer esse treinamento na própria empresa. A experiência traz conhecimentos, mas também vícios. Nem sempre um profissional experiente lidera uma equipe da maneira mais eficaz. Acho fundamental, além da convivência e aprendizado com profissionais mais experientes, a busca de informações nas áreas específicas de gestão de pessoas e liderança", afirma o arquiteto Edison Lopes, um dos sócios titulares da Orbi.
Formação
"Acredito que os escritórios deveriam se empenhar e investir em uma formação mais sólida para seus colaboradores. Isso elevaria o nível e a qualificação do mercado, tendo como consequência melhor remuneração das equipes. Esse processo, imagino, seria um bom indutor para que líderes possam se formar", diz Malicia, do escritório Batagliesi Associados.
Segundo Miriam Addor, do escritório Addor e Associados, existem cursos para formação de líderes, mas nem sempre voltados para a área de gerenciamento de projetos. Para ela, a convivência e, principalmente, a atitude do profissional frente à carreira e seu empreendedorismo são condições essenciais para o desenvolvimento da liderança.
"Não fiz nenhum curso para aprimorar minha liderança, mas tenho um viés empresarial cada vez mais aguçado. A equipe do escritório, por sua vez, sim, passou por consultorias internas para que se focassem as metas do escritório de acordo com um quadro de objetivos a cumprir", diz o arquiteto Paulo Segall, do escritório Trie Arquitetos Associados.
motivação da Equipe
No escritório Batagliesi Associados, são três lideres em um time de 25 pessoas. Eles são capazes de disseminar ideias, entusiasmar os demais e se empenhar em desenvolver trabalhos em equipe. Diferentemente dos chefes, que delegam as tarefas, os líderes têm a capacidade de criar um clima para que todos se sintam compromissados e envolvidos com o trabalho, buscando os melhores resultados possíveis.
Outro aspecto importante entre os líderes é contextualizar a atuação dos demais funcionários, deixando claro quais são os objetivos do escritório, para que cada um exerça seu trabalho da melhor maneira possível, e descobrir vocações entre os arquitetos para as mais específicas tarefas dentro do escritório.
POSTURA
Em primeiro lugar, os líderes devem primar pela comunicação. É necessário que sejam claros os objetivos a respeito do que está sendo feito e qual a estratégia imaginada para isso. A transparência e a prática de "feedback" vão sinalizando que pode ser estabelecida uma relação de confiança. Para se garantir o apoio dos demais, faz-se necessário obter o comprometimento do grupo, desde que o objetivo seja previamente compartilhado.
"Pagar bem os arquitetos, formalizar o escritório em termos administrativos e operacionais, utilizar softwares autorizados dão uma noção de responsabilidade entre os funcionários que só fazem conquistar a confiança na figura do líder, que deve ter, acima de tudo, capacidade para gerir negócios e assumir a responsabilidade pelos projetos do escritório", afirma Segall.
Para Miriam Addor, liderança é sinônimo de respeito, comprometimento e envolvimento. "Ética profissional, hoje um pouco esquecida, é fundamental. E mais: conhecimento sobre os projetos, envolvimento com o trabalho da equipe, participando como elemento agente e não somente como exigente. Dessa forma, o apoio passa a ser uma consequência da atitude do líder", diz.