O Brasil é um sucesso na Expo Xangai 2010, a maior feira universal jamais realizada, desde a primeira, em Londres, em 1862. Aquela ocupou pouco mais de 15 hectares. Esta tem oito quilômetros, de ponta a ponta. Aquela recebeu seis mil visitantes, de maio a novembro. Nesta, que foi aberta no sábado, só o Pavilhão Brasileiro recebe cerca de 12 mil visitantes/dia, em 12 horas de funcionamento. O fato é que nosso pavilhão revestido de madeira pintada de verde, bem pulsante e chamativo como é o Brasil, virou um hit tanto entre o público como na imprensa internacional. Nesta semana, a britânica BBC fez uma matéria só sobre o pavilhão brasileiro, classificando-o de "espetacular". É citado em todas as matérias, e dois sites importantes de arquitetura também o colocam entre as 15 principais atrações da feira.
O autor desta proeza chama-se Fernando Brandão, um arquiteto paulistano, que se diz "jovem como Brasília", e bem low profile, mas que pode ser facilmente identificado pelos paulistanos por ser o criador de todas as Livrarias Cultura da cidade. E do Brasil. Todas premiadas. Desde a do Shopping Villa-Lobos, em 1996, no ano em que abriu seu escritório, até este ano, quando serão inauguradas as de Brasília, Fortaleza, Salvador e Curitiba. A mais famosa de todas é a do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, que recebeu prêmio internacional.
Pois é aproveitando aquelas estruturas de madeira das livrarias que dá para explicar como é a fachada do pavilhão brasileiro. São painéis cobertos por uma espécie de renda formada por ripas de madeira colocadas de maneira aleatória. Foram montados em Xangai, o que se transformou num problema porque os chineses, muito disciplinados, não entendem a noção do "aleatório". Diz Brandão que, durante a montagem, bastava se distrair um instante e as madeiras ficavam todas enfileiradinhas, ordenadinhas.
Esse sucesso brasileiro, que ocupa uma área de 2 mil m², a um custo de R$ 70 milhões - que agora dado o sucesso e o tanto que fará pela imagem do Brasil no mundo, parece até barato - foi concebido a toque de caixa, num concurso promovido pela Asbea, porque o presidente Lula queria levar a maquete para os chineses em maio de 2009, quando visitou o país. O projeto do escritório de Brandão, que esteve em todas as últimas exposições universais e mundiais, e que é especializado em arquitetura promocional, venceu com uma proposta prática, facilmente exequível, de conteúdo todo digital. A preocupação do arquiteto, com o aspecto externo, é que fosse facilmente identificável como brasileiro. No conteúdo, queria apresentar um país vivo, em busca de soluções.
A construção também foi rápida, menos de um ano, e ficou pronta 15 dias antes da abertura. Apesar de todas as burocracias, lembra Brandão, tanto as nossas quanto as deles. E ainda faz humor, comentando que lá, além de tudo, os entraves eram em chinês... Mas deu tudo certo. O interior do pavilhão é todo escuro, e as divisões são construídas pela iluminação das projeções. São três módulos, um que mostra o cotidiano do brasileiro, basicamente urbano, já que o tema da mostra é Cidade Melhor, Vida Melhor; outro que mostra a alegria brasileira em suas festas, miscigenação; e um salão maior que fala sobre as Cidades Pulsantes, em que se acompanham, em filmes, o dia a dia de quatro brasileiros urbanos. Mas há também informação sobre a Copa de 2014 e as cidades-sede, sobre o pró-álcool, sobre os talentos e as boas ideias brasileiras. Todo o conteúdo foi concebido e criado por Fernando Meirelles e sua produtora, O2, o que ajuda muito o pavilhão brasileiro em seu sucesso em Xangai. Um sucesso que, espera-se, seja revertido em turismo, em atração de investimentos, em negócios.
Texto publicado no jornal Metro de 5 de maio de 2010.