O governador José Roberto Arruda vai levar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o debate sobre a construção ou não da Praça da Soberania no gramado central da Esplanada dos Ministérios. Arruda aproveitará uma audiência já marcada para o próximo dia 6 no Palácio do Planalto para saber a opinião do presidente sobre o assunto. Foi o próprio Lula quem pediu ao governador a edificação de um museu para a memória dos ex-presidentes, previsto no projeto da praça. Ontem, Arruda mostrou que não tem pressa para tirar do papel a proposta desenhada por Oscar Niemeyer. Diante da polêmica levantada pelo tema, ele disse que não há dinheiro nem previsão para erguer a praça, ao menos por enquanto, e buscou levar as atenções para o início iminente das obras de outra obra de Niemeyer: a Torre de TV Digital, que será em Sobradinho, no local mais alto do DF.
O governador elogiou o nível das discussões sobre a Praça da Soberania e garantiu que quer entrar na polêmica. "Isso mostra que a cidade está viva, que já se construíram nestes 50 anos os instrumentos de defesa, de discussão de seu futuro. Antigamente, Brasília parecia não reagir às coisas. Hoje, a cidade está intelectualmente viva", valorizou Arruda, que, na última segunda-feira, comentou em reunião com o reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo de Sousa Júnior, que gostaria de conversar com a professora Sylvia Ficher, autora de um dos primeiros artigos criticando a praça. "Ainda quero, porque achei o artigo muito interessante", reiterou ontem o governador.
Sylvia, professora da Faculdade da Arquitetura e Urbanismo da UnB e integrante do Conselho de Planejamento Territorial do DF, instituído pelo governador, se disse surpresa com a repercussão de seu texto e se colocou à disposição de Arruda. "Também considero essa polêmica boa para a cidade, pois é uma oportunidade para discutirmos a área tombada e todo o DF do ponto de vista urbanístico", comentou a docente.
Sobre a previsão de construção do monumento, Arruda afirmou que recebe projetos tanto de Niemeyer quanto de outros arquitetos com alegria, mas que não pode fazer nada por enquanto. "Não há dinheiro no orçamento, não há previsão, portanto, para isso. Até porque nós estamos num momento de escassez, a receita já está em queda e eu estou priorizando os poucos recursos que temos nas áreas mais humildes", explicou. "Neste momento, não há nenhuma perspectiva. Ainda que toda a cidade fosse favorável, nós não teríamos dinheiro para construir agora", ponderou o governador ontem, durante inauguração de terminal rodoviário no Riacho Fundo.
Flor do Cerrado
Arruda confirmou que a Torre de TV Digital é o monumento de Niemeyer que deve ser construído imediatamente. O projeto, batizado de Flor do Cerrado por causa do formato, foi concluído no ano passado pelo escritório do arquiteto no Rio de Janeiro. Segundo o governador, a torre cumpre dupla finalidade : "trazer o sinal da TV digital para Brasília e, ao mesmo tempo, ser um marco dos 50 anos da capital federal, no lugar mais alto da cidade". A torre ficará no Setor Grande Colorado, pertencente à região administrativa de Sobradinho. Do local, tem-se uma vista privilegiada de Brasília, paisagem que deve ficar ainda mais deslumbrante do alto dos 120m de altura previstos para a obra.
A torre já foi licitada e sua construção deverá custar R$ 64 milhões aos cofres públicos. O que emperra o início imediato das obras, como quer o governador, é a concessão do licenciamento ambiental da empreitada, que está a cargo do Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Segundo o secretário de Obras, Márcio Machado, no entanto, esse problema deverá ser resolvido em breve. "Já tivemos muitas conversas com o Ibama e o assunto está evoluindo bem. Apresentamos os projetos complementares de drenagem e o órgão está avaliando. Acho que não teremos problemas de obter a licença nos próximos 15 dias", afirmou. Reunião entre representantes do GDF e do órgão ambiental está marcada para 3 de fevereiro.
Quando conseguir a licença, o governo deve garantir o começo imediato das obras, já que o tempo previsto para sua execução é de 300 dias e os planos são de iniciar as transmissões digitais em Brasília no dia do aniversário de 50 anos da cidade, em 21 de abril de 2010. Lançada em 2 de dezembro de 2007 no Brasil, a TV digital já está presente em nove capitais brasileiras, onde vivem 40 milhões de pessoas.
Fonte: Correio Braziliense - DF