A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a Caixa promoveram na última terça-feria, dia 13/7, na sede do Sinduscon -São Paulo, um workshop sobre o tema "Análise Compartilhada da Norma de Desempenho - NBR 15.575 - Edifícios Habitacionais de até 5 pavimentos - Desempenho".
O workshop contou com a participação de representantes dos diferentes segmentos da cadeia produtiva da construção, além de representantes da CAIXA, da ABNT e do Ministério das Cidades.
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| Frederico Rangel: responsabilidade com o usuário do espaço construído |
Pela AsBEA falou o coordenador-geral de Grupos de Trabalho, Frederico Rangel, que destacou ser uma forte preocupação da entidade o papel do arquiteto dentro desse processo e as responsabilidades pertinentes a cada segmento da cadeia da construção civil:
"As responsabilidades são compartilhadas por todos da cadeia? Com que pesos? Como isso vai ser mensurado?", perguntou.
Preocupação antiga - "Nós temos tratado do tema desde 2003. Sabemos que a implementação da norma pode ser uma mudança de patamar. Nisso estamos totalmente de acordo. E esperamos que, com isso, inclusive, o projeto venha a ser revalorizado", afirmou, antes de traçar um breve histórico acerca da evolução do projeto da década de 1970 até os dias de hoje.
No novo século, segundo Frederico, o projeto inicia um doloroso e demorado caminho de retomada de seu valor. Os conceitos de que "uma boa obra se faz somente a partir de um bom projeto", ou "economiza-se na obra na etapa de projetos" hoje são inquestionáveis. "A classe dos arquitetos tem isto como bandeira hasteada", frisou em sua apresentação, elencando pontos que permeiam a construção em nosso tempo:
O atual mercado consumidor da construção está muito mais ciente, preparado e sabedor de seus direitos e das garantias que tem ao receber o produto.
As novas tecnologias se implantaram definitivamente em todos os processos, nos projetos, da viabilidade econômica financeira até a constituição jurídica dos empreendimentos (nos financiamentos, alienação fiduciária etc.).
O mercado, cada vez mais competitivo, exige também cada vez mais projetos bem concebidos e especificados. E isto deve ter seu valor reconhecido novamente. A norma vem ao encontro disto.
A especificação terá validade somente se for respeitada, o que ainda não ocorre frequentemente.
Se por um lado a responsabilidade do projeto arquitetônico abrangerá um escopo novamente maior, por outro lado o arquiteto terá que ter seu projeto cumprido fielmente e devidamente remunerado.
"O nosso trabalho pode ser resumido numa frase: a responsabilidade com o usuário do espaço construído. Esse é o nosso escopo, sem esquecer as questões de sustentabilidade, que já estão embutidas, eu diria, na nossa formação", concluiu o representante da AsBEA.
Prorogação de prazo - No workshop, após conversas e apresentações de agentes do setor da construção, ficou estabelecido que será enviada uma correspondência assinada por várias entidades do setor para a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
A correspondência deverá apresentar uma exposição consistente de motivos com a proposta de estender o prazo de exigência da Norma(novos projetos protocolados) de 12 de novembro de 2010 para 12 de maio de 2011.
A carta também deve provocar a reabertura da comissão de estudos da NBR 15.575, que representa toda a sociedade. Devido a isso, o setor da construção se comprometeu em formar um Grupo de Trabalho (GT) para realizar análises mais aprofundadas em relação aos impactos que a implementação da Norma poderá provocar em toda sua cadeia produtiva - fabricantes, projetistas, construtores e incorporadores.
Ficou estabelecido, ainda, que o GT deverá apresentar, até 13 de setembro deste ano, um plano de ação à comissão de estudos da Norma de Desempenho.
Confira no portal CBIC a apresentação de Frederico e dos demais participantes do workshop.