Em setembro, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o presidente Lula anunciaram um pacote com medidas que ampliam concessões à iniciativa privada em quatro parques nacionais, entre eles o PNT. O Instituto dos Arquitetos do Brasil foi o escolhido para preparar o edital de licitação da concessão.
"O IAB instituto tem experiência e tradição para a preparação de concursos e já enviou um projeto. A proposta foi encaminhada ao Instituto Chico Mendes, que está analisando as cláusulas e deve nos dar uma definição ainda esta semana", afirma Calmon. Dayse Góis, presidente do IAB, explica que alguns pontos ainda precisam ser esclarecidos. "Ainda faltam determinar e aprovar pontos como o uso do hotel, que pode ser um centro de convenções ou abrigar a sede do Parque Nacional da Tijuca".
O hotel também pode ser usado para sediar a coordenação regional do Instituto Chico Mendes, de acordo com Julio Gonchorosky. Sobre o financiamento da obra, o coordenador do ICMBio diz que deve ser usado o mesmo modelo do de Foz do Iguaçu. - Uma pequena percentagem do ingresso ficaria com o concessionário, que provavelmente será responsável pelo hotel por cerca de 15 anos. Sobre a questão de patrocínios, essa será uma decisão tomada pelo concessionário em conjunto com o parque - afirma Gonchorosky.
Arquitetos conceituados como Paulo Casé, por exemplo, acham que o Hotel das Paineiras deveria permanecer mesmo um hotel. Ele acredita que sua ref ormateria um aspecto muito positivo para a memória da cidade. - Acredito que o hotel tem de permanecer hotel mesmo. Talvez, um centro de conveções. Eletambém deve abranger aspectos ecológicos. A única forma de manter vivo um prédio é lhe dar uma nova função. Estou muito satisfeito com a reforma, pois é um lugar lindo e com uma vista maravilhosa.
O arquiteto Luiz Eduardo Índio da Costa concorda, mas acha que o hotel poderia ter atrações complementares, como um spa e um restaurante. - Ele não pode ser um hotel parado lá no alto, esperando por hóspedes. Ele precisa ser cheio de dinamismo, ter algum apelo especial. Para Sergio Gattáss, o complicado do projeto é conseguir um equilíbrio entre a construção necessária para a viabilização econômica do hotel e a manutenção da harmonia com a mata e com um bem tombado.
- Apesar de complicado, é muito importante a restauração do espaço pela oportunidade rara de termos um hotel urbano, imerso na Mata Atlântica e com vistas deslumbrantes da cidade, que, na minha opinião, é a mais linda do mundo.
Fonte: O Globo (RJ)