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| Projeto de Ramos de Azevedo, fachadas do Palácio da Justiça serão reformadas após 85 anos |
Um marco na afirmação de São Paulo como força econômica e cultural, o Palácio da Justiça passa por restauro depois de 85 anos. Localizado na praça Clóvis Bevilacqua, no centro da capital, o prédio, onde funciona hoje o Tribunal de Justiça de São Paulo, começou a ser construído em 1920 e passou a funcionar em 1933. O monumento, projeto de Ramos de Azevedo, foi tombado pelo Governo do Estado em 1981.
Com a ação do tempo e as agressões do ambiente, o restauro torna-se inevitável. O projeto de restauro do Palácio da Justiça prevê, neste momento, intervenção nas fachadas e na cobertura de cobre do Salão do Júri. A estimativa é de que as áreas restauradas, algo em torno de 8200 metros quadrados, sejam entreguem em fevereiro de 2009.
Quem executa o trabalho é a Pires Giovanetti Guardia, empresa que atua em renovação de patrimônios culturais há mais de 20 anos.
Os operários empregados na construção original eram em sua maioria imigrantes italianos e espanhóis. Sua fachada foi inspirada no Palácio da Justiça de Roma, com acabamentos luxuosos e ornamentado com figuras e símbolos do judiciário. Todas estas esculturas, que se misturam às fachadas, passam por intervenções.
Como em toda grande obra, a recuperação e restauração de áreas do Palácio da Justiça envolvem grandes números. Ao todo, trabalham na obra 80 profissionais. Contabilizando o material utilizado, são aproximadamente 20 T de argamassa especial, 500 Kg de silicone empregados na modelagem de ornamentos. Além disso, há uma grande variedade de materiais que são "fabricados" em campo como granitos e pedras que são moídos, separados e novamente aglutinados para restaurar peças em argamassa, pedra e granilites.
A tecnologia adotada pela Pires Giovanetti Guardia nesta obra, com abordagens inovadoras e adotando métodos entre os mais modernos existentes, permitiu manter e conservar grande parte do revestimento e ornamentação originais que de outra forma teriam de ser substituídos.
Neste trabalho emprega-se os mais variados recursos, da mais contemporânea tecnologia com ensaios laboratoriais, análises químicas, materiais e ferramentas especiais aliados às atividades artísticas como modelagem, escultura e os demais procedimentos da construção civil, mas sempre dentro dos critérios com que se intervêm em patrimônio histórico.
"Nosso trabalho consiste em complementar a identificação preliminar das patologias listadas no projeto que deu base a licitação, combater a causa destas patologias, restaurar os elementos que foram deteriorados procurando manter o máximo possível do original e refazer aqueles que se deterioraram irremediavelmente", afirma Juca Pires, arquiteto responsável pela restauração.
Fonte: Revista da Engenharia (SP)