O arquiteto Oscar Niemeyer voltou a se manifestar sobre a Praça da Soberania e a polêmica em torno da construção do monumento na Esplanada dos Ministérios. Em texto enviado ao Correio, ele considera que "a briga está boa", mas que continua firme na "trincheira" (leia texto na íntegra ao lado). Niemeyer propõe a criação de uma comissão de especialistas para tratar das questões de arquitetura e urbanismo da cidade e encaminhar as soluções necessárias.
Idealizador dos mais famosos monumentos de Brasília, Niemeyer afirma ter acompanhado as manifestações favoráveis e contrárias ao projeto, "algumas merecedoras de resposta, pela maneira inteligente e elegante com que discutem os problemas, outras mais petulantes (.) com uma audácia que a falta de informação deveria deter". Audácia também é o termo usado para desqualificar o representante do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) que criticou o projeto de Niemeyer.
Se levada adiante, a Praça da Soberania terá um obelisco - com uma mostra sobre o progresso do país - e um museu, o Memorial dos Ex-Presidentes. No subsolo, haverá um estacionamento para 3 mil carros. No artigo, o arquiteto reitera que o projeto está pronto para ser encaminhado ao governador José Roberto Arruda, mas que cabe a este dar início às obras.
Na manhã de ontem, Arruda voltou a dizer que não há verba para levantar o monumento imediatamente. "Agora, não há recursos para a construção desse projeto. Estou concentrando o dinheiro nas áreas mais carentes da cidade", explicou Arruda. Não existe previsão para que a obra seja realizada. "Eu recebi um projeto. Agradeço ao Oscar e agradeço a todas as pessoas que estão dando suas contribuições a Brasília. O que eu acho bonito dessa polêmica é que Brasília está viva, discutindo isso", repetiu o governador.
Convivência
A polêmica em torno da construção da praça atiçou opiniões contrárias ao projeto, tanto de parte da população quanto de especialistas. Para o ex-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil do DF (IAB-DF) Otto Ribas, a proposta de uma praça é agregar e estimular a convivência. "O que vem incomodando os arquitetos é a forma árida do projeto, em frente à Rodoviária do Plano Piloto. Não tem sombra, nenhum atrativo. E coloca edifícios importantes, como a Catedral e o Congresso, de forma secundária", afirmou. Outra questão é a altura do obelisco idealizado por Niemeyer, que deve ser de 100m - maior que o Congresso Nacional, de 92m. "Nada deve ficar escandalosamente competindo com ele. O edifício mais importante daquela avenida seria o Congresso, razão pela qual ele está no centro", concluiu.
Pioneiro de Brasília e presidente do Instituto Histórico e Geográfico do DF (IHG-DF), Affonso Heliodoro dos Santos enviou ao jornal um comunicado ressaltando a preocupação com o projeto da praça (leia abaixo). Heliodoro lembra que a construção pode comprometer a visão da Esplanada e vai contra o tratamento paisagístico com farta arborização proposto para a região.
Fonte: Correio Braziliense (DF)