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Notícias

15/Dezembro/2011

Oscar Niemeyer comemora 104 anos com novos projetos


Responsável por dar traços suaves ao concreto, suas obras ainda causam polêmica


Sérgio Vieira, do R7 | 15/12/2011 às 05h31

Sérgio Vieira, do R7 | 15/12/2011 às 05h31
Com experimentos em concreto armado, a igreja da Pampulha é considerada a obra-prima de Niemeyer
Considerado um dos maiores gênios da arquitetura, o brasileiro - e carioca - Oscar Niemeyer desafia qualquer regra de longevidade. Nesta quinta-feira (15), ele completa 104 anos de vida, sendo mais de 80 deles dedicados a suavizar as curvas do concreto. Niemeyer é figura fundamental para a história da arquitetura - e também política - do Brasil. Faça o quiz e teste seus conhecimentos sobre as obras do arquiteto (ao final desta reportagem).

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Veja os traços de Niemeyer em obras

Autoridades e políticos brigam por oportunidade de construir em suas cidades monumentos arquitetônicos com o toque da caneta do artista. Entretanto, a única obra do arquiteto na Espanha, o Centro Niemeyer, inaugurado em março em Avilés, fechou as portas por questões políticas.

O complexo cultural de 16 mil m², orçado em US$ 20 milhões e formado por teatro, museu, prédio administrativo, restaurante e uma praça, não resistiu ao novo governo de direita da região de Astúrias. Vera Lucia, mulher de Niemeyer há cinco anos, lamenta o fechamento e diz que o arquiteto ficou muito triste com a decisão.

- Este projeto é sagrado para ele, não tem nada a ver só porque mudou o governo fechar o complexo. É desagradável, um projeto badalado, muito visitado, é chato. O que se há de fazer? Ele [Niemeyer] ficou abalado quando soube.

Abertamente de esquerda, Oscar Niemeyer é considerado um símbolo quando o assunto é comunismo. Em 1966, projetou - e não cobrou um centavo - a monumental sede do Partido Comunista em Paris. Até hoje, um símbolo encravado de tal forma na capital francesa que o ex-presidente francês Georges Pompidou referiu-se à obra como "a única coisa boa que eles [os comunistas] fizeram".

Entre as diversas celebrações, o arquiteto lança às 19h desta quarta-feira, na avenida Atlântica, a 11ª edição da revista Nosso Caminho, que homenageia o poeta Vinícius de Moraes.

Seu restaurante preferido, o Terzetto, em Ipanema, na zona sul do Rio, não será o palco principal das comemorações como de costume. Uma festa para mais de 50 pessoas foi organizada no escritório do arquiteto, segundo confirma Vera. Entre os convidados estão, os cantores Jorge Aragão e Martinho da Vila, Miúcha, Mariana e Jorgina (filhas de Vinícius de Moraes), entre outros.

- Este ano, ele não quis nenhuma comemoração no Terzetto. Vamos receber nossos amigos onde ele mais passa o tempo. Convidamos a presidente Dilma Rousseff, mas já sabíamos que ela talvez não venha porque tem o lançamento do livro dela no mesmo dia.

Trabalhador incansável e amante da política 

Pilhas de projetos chegam à sua mesa diariamente. Atualmente, ele trabalha nos últimos retoques de uma biblioteca na Argélia. Também em suas mãos está a Universidade de Música e Artes Cênicas Dr. Daisaku Ikeda, em Araraquara (SP); um centro administrativo no Paraná; o novo Sambódromo da Marquês de Sapucaí (Rio) e o Puerto de la Música, uma casa de exposições e concertos na cidade de Rosário (Argentina). 

No entanto, o projeto que promete a maior polêmica - se sair do papel - será o Teatro Musical Rio's, no aterro do Flamengo, que pode se tornar um marco para a capital fluminense. A decisão está nas mãos do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), já que o aterro é tombado e qualquer modificação precisa de análise de impacto e posterior autorização especial do órgão.

Oscar Niemeyer já falou publicamente ser admirador da vida (e do governo) da presidente Dilma. Segundo Vera Lucia, Niemeyer tenta se manter ciente dos acontecimentos políticos e faz do tema parte das conversas dentro de casa.

- Ele sempre tenta estar a par [dos acontecimentos políticos], procurando saber das novidades. Ele continua apoiando a presidente Dilma e se diz satisfeito com o governo dela.

Quem pensa que a idade fez com que Niemeyer se recolhesse dentro de casa está enganado. O ex-amante das cigarrilhas - ele deixou de fumá-las há um ano e três meses, mas não passa um só dia sem dizer ao seu médico que vai voltar a fumar - passa rigorosamente oito horas diárias em seu escritório.

- Ele fica muito tempo no escritório, mas agora está mais preguiçoso. Está chegando mais tarde lá. Passou a almoçar em casa. 

Por conta dos cuidados com a saúde, as cigarrilhas ficaram para trás, mas próximo de completar 104 anos, duas coisas continuam intactas: a convicção pelo comunismo e o gosto pelos vinhos (franceses) Pinot Noir.



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