O Projeto de Internacionalização da Arquitetura Brasileira, desenvolvido pela AsBEA em parceria com a Apex-Brasil ocupou um espaço especial na 38ª Assembleia Anual & 1º Fórum Internacional, que aconteceu entre os dias 20 e 23/5, na Ilha de Comandatuba, Bahia.
Na tarde de 21/5, a iniciativa da AsBEA foi detalhada nas apresentações do presidente Ronaldo Rezende; de Carina Carvalho, gestora do projeto; da supervisora de Projetos Apex-Brasil, Adriana Rodrigues; de Adriano Campos, do Núcleo de Investimentos da Apex-Brasil; e Valerie Engelsberg, da empresa Top Brands, responsável pelas ações de branding previstas no programa.
O presidente Ronaldo Rezende destacou em sua fala que o projeto começou a brotar há três anos, após a Assembleia realizada em Buenos Aires, Argentina. "Vimos naquela oportunidade que os arquitetos argentinos em sua maioria já exportavam arquitetura. Então começamos a nos perguntar: por que não fazemos o mesmo no Brasil?"
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| Ronaldo: planejamento é o caminho |
Após uma série de debates, a AsBEA se aproximou da Apex-Brasil, tendo sido escolhida como a entidade que representaria o País no setor de arquitetura para projetos de exportação.
Planejamento estratégico -"No ano passado, firmamos a parceria com a Apex e começamos então a desenvolver iniciativas voltadas à conquista do nosso objetivo, que é exportar arquitetura. Em sua palestra há pouco, Ozires Silva falou que ainda existem grandes entraves para um projeto desse naipe. Mas eu fiquei pensando: se a Embraer conseguiu exportar, fazendo aviões no Brasil, sem termos nenhuma tradição nesse sentido, nós que já temos todo um capital humano na nossa profissão, que pertencemos a um país que entre 180 outros é o sétimo em criatividade, também podemos obter êxito nesse empreendimento", comparou o presidente da AsBEA.
Segundo Rezende, a resposta para a não entrada até o momento da arquitetura brasileira no mercado internacional se deve em grande parte à falta de planejamento.
"E é isso que estamos aprendendo com a Apex. Para tocar esse projeto, começamos exatamente por aquilo que os sul-americanos não gostam muito de fazer que é planejamento. Infelizmente, por aqui, não se planeja tanto quanto se deveria para conquistar os objetivos. Criamos um corpo técnico, e estamos desde o ano passado totalmente embalados no planejamento das ações que possibilitarão a exportação da arquitetura brasileira num futuro próximo."
Carina Carvalho, gestora do projeto, paralelamente à parceria com a Apex, teve iníio uma pesquisa junto aos escritórios associados que se inscreveram na ocasião, com vistas a identificar a maturidade e o perfil empresarial dos escritórios inscritos.
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| Carina: capacitação é fundamental |
Mercados-alvos - "O trabalho demorou aproximadamente uns três meses, e chegamos à conclusão, junto com o pessoal de CRM da Apex, que muitas das empresas que se inscreveram no projeto não tinham experiência no processo de exportação. Partindo daí, reestruturamos o projeto, e novamente com a ajuda da Apex no setor de Inteligência, identificamos oito mercados-alvos, para que pudéssemos então iniciar o processo de exportação. Ao mesmo tempo, por conta de outra necessidade identificada pela pesquisa, iniciamos um planejamento estratégico para estruturarmos o projeto."
O planejamento, conforme explicou a gestora, vem sendo feito há cerca de seis meses e identifica três figuras: a Apex, a AsBEA, com os escritórios de arquitetura, e o setor em si que congrega empresas não associadas, mas as quais se pretende atrair para o projeto.
"Através do CRM da Apex e da pesquisa foram identificados oito mercados-alvo para que possamos iniciar o processo de exportação: Angola, Moçambique, Colômbia, Peru, Panamá, Índia, Arábia Saudita e Emirados Árabes", complementou Carina, lembrando que a proposta vai além de exportar:
"Sabemos que temos metas que assumimos junto à Apex e que a finalidade é exportar serviços de arquitetura. Mas muito mais do que isso, pretendemos capacitar os escritórios e criar uma imagem integrada da arquitetura brasileira lá fora. A Apex acredita muito que a marca do País é construída setorialmente. E não existe uma marca da arquitetura brasileira lá fora."
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| Adriana: fazendo a lição de casa |
Visão de futuro - Programado para cinco, o planejamento estratégico buscará, de acordo com Carina, criar uma cultura exportadora, capacitar os escritórios e tentar liquidar ou diminuir os pontos fracos, reforçando os pontos fortes.
"A visão de futuro para o setor daqui a cinco anos, pode ser resumida nesta sentença: escritórios brasileiros de arquitetura, inseridos no mercado mundial, com diferenciais claros e competitivos."
Com base nessa visão de futuro, concluiu Carina, foram então alinhados quatro grandes objetivos: 1. Construir uma imagem do setor; 2. Capacitar para competir; 3. Inserir no mercado mundial os escritórios de arquitetura; 4. E, principalmente, formar alianças estratégicas.
Lição de casa - Para a supervisora de Projetos da Apex-Brasil, Adriana Rodrigues, a AsBEA está fazendo a ''''''''lição de casa'''''''' para que o projeto cumpra seus objetivos.
"É muito importante que nos preparemos e tenhamos a capacitação adequada para inserir nossas empresas nossos escritórios no mercado internacional. Por isso, temos dentro do projeto ações que são estruturantes. Começamos por um planejamento estratégico, temos também toda uma preocupação com a marca do setor e, para tanto, estamos desenvolvendo ações de branding. Posteriormente, partiremos para ações voltadas para o marketing, para a busca das oportunidades, com novas missões comerciais, como a que fizemos o ano passado a Dubai."
Segundo Adriana, a preocupação é mostrar a capacidade, a qualidade e a criatividade da arquitetura brasileira, para, principalmente, obter êxito na participação em concursos internacionais e licitações, além de parcerias com outras empresas internacionais.
"O objetivo é aumentar a competitividade do setor e a Apex-Brasil está aqui para dar todo apoio", concluiu. Adriano Campos, do Núcleo de Investimentos da Apex-Brasil, falou sobre um trabalho recentemente iniciado pela agência governamental, que é a atração de investimentos.
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| Adriano: recursos externos são bem-vindos |
Recursos externos - "Os investimentos estrangeiros", explicou Campos, "são uma fonte extra de recursos para a economia de um país atingir alguns resultados. O primeiro e mais direto deles é a criação de empregos. Outra é a transferência de tecnologia. Por fim, a inserção de um novo investidor gera benefícios para toda a cadeia de produção. Como consequência desse último, ocorrem impactos positivos na infra-estrutura, no balanço de pagamentos e em fontes de financiamentos por meio de fundos".
Campos fez ainda uma análise das áreas que mais podem atrair investimentos externos, especialmente aquelas que têm a ver diretamente com a arquitetura, como construção civil e hotelaria.
A importância da imagem setorial e as ações de branding previstas no projeto foram temas que nortearam a palestra da arquiteta Valerie Engelsberg, sócia da empresa de gestão de marcas Top Brands.
Construção da marca - "O trabalho de construção da marca setorial dentro do projeto de internacionalização da arquitetura está sendo feito em grupos", esclareceu Valerie."Portanto, vou falar mais sobre conceito.
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| Valerie: setor tem de ter uma marca |
O que é marca, gestão de marca, o que é branding, para que serve uma marca setorial e em que pode ajudar a arquitetura brasileira."
Segundo Valerie, o objetivo inicial das ações de branding é capacitar os escritórios de arquitetura a utilizar os instrumentos de gestão de marca.
"Em seguida, é definir a marca desejada e o posicionamento da marca da arquitetura brasileira. Como o setor quer aparecer lá fora. Vimos hoje aqui que não existe uma imagem consolidada, clara, lá fora, sobre a arquitetura brasileira. Temos a chance de escrever essa página, e é melhor escrever certo, porque ter de corrigir depois é mais difícil. E é mais se posicionar do que ter de se reposicionar. Então, é importante saber como vamos construir essa imagem", conclamou Valerie, lembrando que o terceiro ponto é desenvolver ações para que essa marca seja implementada.