"Os eventos que teremos em 2014 e 2016 são motivadores e deflagradores, com prazo limitado, para rever todas as estruturas e as infraestruturas urbanas, a respeito das quais o País ficou um pouco acomodado nos últimos 20 anos."
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| Jabbour, Thomaz e Edo respondem às perguntas da platéia |
A opinião é do urbanista Thomaz Assumpção, da Urban Systems, que abriu o 1º Seminário Internacional de Arquitetura Esportiva, promovido pela AsBEA, com o apoio institucional AsBEA.
Legados positivos - Segundo Thomaz, vai ser necessário, além das questões da Copa, que são exigências da Fifa, "que se pense em legados positivos, preenchendo gaps que essas doze cidades têm, a partir de uma demanda latente que não tem produto. Estão faltando armazéns alfandegados, estão faltando universidades, está faltando um monte de coisas que independem de Copa, mas o Mundial é agora o grande mote para isso", complementa.
A Urban Systems é uma empresa especializada em análise de dados demográficos em mapas digitais para dimensionamento de tendências em mercados e cidades. O tema abordado por Thomaz foi "Megaeventos: oportunidades e desafios para uma renovação urbana".
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| Seminário reuniu um ótimo público: mais de 200 pessoas acompanharam as palestras |
Edgar Jabbour, da Delloite, que, entre outras experiências, atuou em auditoria, consultoria empresarial e corporate finance, analisou a questão do ponto de vista das oportunidades para as subsedes da Copa 2014.
"Desde 2006 que estamos olhando o Brasil na perspectiva da Copa de 2014. E, mais recentemente, com a perspectiva também da Olimpíada 2016. Então todos os eventos esportivos que vão acontecer do ano que vem em diante - Olimpíada Militar, a Copa das Confederações - motivam outros movimentos nessa direção", concorda.
O seminário, que aconteceu no final da tarde de 18/8, no Centro Brasileiro Britânico, em Pinheiros, São Paulo, foi encerrado pela arquiteto Edo Rocha, vice-presidente comercial da AsBEA, que abriu sua palestra falando sobre o Projeto de Internacionalização da Arquitetura Brasileira, que a entidade desenvolve em parceria com a Apex-Brasil.
Edo Rocha lembrou que a AsBEA foi fundada com o intituito de internacionalizar a arquitetura do País. O arquiteto falou também sobre os estádios que estão sendo construídos ou reformados nas cidades-sede da Copa, lamentando que arquitetos estrangeiros estejam projetando tais obras naquele que é considerado o ''''país do futebol''''.
Importante é a trejetória - De acordo com Jabbour, o mais importante no que se refere aos megaeventos no Brasil é a trajetória e não, necessariamente, o ponto de chegada. "É o processo o que interessa: o que se deve fazer para realizar um bom evento. E aí entra infraestrutura, treinamento de pessoas, abertura do País para uma série de investidores que vão olhá-lo de forma diferente. Paralelamente, é preciso manter a economia saudável, a inflação baixa, fortalecendo as estruturas regionais e melhorando o modal aeroportuário, que é um dos grandes gaps do momento no Brasil."
Os dois especialistas que participaram do seminário são unânimes em apontar como outra grande lacuna que o País está vivendo e que pode atrapalhar tanto no ante como no pós-eventos: a falta de capital humano.
Analisando sob prisma do mundial de futebol, Thomaz faz a seguinte análise:
"As cadeias produtivas que alimentam o processo de geração negócios, de projetos arquitetônicos e de todos os produtos imobiliários que serão inseridos no tecido urbano brasileiro - afinal, são 12 capitais envolvidas - necessitarão, no pós-Copa, de uma sustentabilidade não só econômico-financeira, mas também de manutenção da operação, ou seja, capital humano. E já temos vários apagões em curso. Nos setores de construção civil e de turismo e hotelaria, por exemplo, já não se acham profissionais qualificados. E as universidades estão produzindo profissionais com uma qualidade muito aquém do necessário. Estamos importando profissionais e vamos importar muito ainda, até que consigamos reconstruir a qualidade da produção de conhecimento para retroalimentar as cadeias produtivas com conteúdo humano gerado no Brasil", prevê.
Para Jabbour, a produção científica brasileira está muito mais concentrada na área de humanas e isso produz essa escassez. "Além de as universidades não formarem os profissionais que o mercado precisa, o faz em pequena quantidade. Temos que ter em mente que a falta de infraestrutura do aeroporto é tão grave quanto a ausência da pessoa que vai trabalhar nele", adverte.
Visão sistêmica - O momento, segundo Thomaz, é a grande oportunidade para se olhar a formação de capital humano de maneira sistêmica. "É preciso realinhar essas questões, para promover a retroalimentação de um setor para outro. Temos de pensar em termos sistêmicos, de desenvolvimento de componentes atrelados à produção e ao consumidor final. Não faz sentido produzirmos soja na Bahia e escoá-la pelo porto de Santos e não pelo de Suape", exemplifica.
Jabbour ressalta que, diante de tudo o que está por fazer, não se pode colocar responsabilidade total sobre o governo. "Ele pode ser um direcionador, mas a iniciativa privada tem de se mexer. Ao governo cabe, sim, a responsabilidade de estabelecer os marcos regulatórios dos diversos setores, para que o empresário tenha segurança em relação ao seu investimento", conclui.
Ambos veem grandes perspectivas para a arquitetura nesse processo todo.
"Qualquer coisa que ser faça em qualquer segmento da cadeia produtiva tem uma inserção no tecido urbano, seja um hospital, um hotel, um escritório ou mesmo um terminal multimodal. Os arquitetos serão beneficiados e instigados a dar uma resposta para todos esses setores que vão ser deflagrados. As perspectivas dos arquitetos são as melhores", antevê Thomaz.
"Eu diria - complementa Jabbour - que eles podem ser até agentes de mudanças, se tiverem proatividade em provocar investidores e governos, com relação a soluções que hoje conhecem, mas que são meio tímidos em propor. Talvez o que falte seja criar os espaços para que os arquitetos possam se expressar e ajudar efetivamente a toda essa massa na criação de soluções inteligentes", finaliza.