II Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo.

II Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo.

11/10/2017

A Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo é um evento que acontece a cada três anos, com o principal objetivo de promover o diálogo entre arquitetos e urbanistas e a sociedade civil e colher contribuições sobre a atuação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal (CAU/UF).
Esta segunda conferência, teve um significado especial: aconteceu entre os dias 07 a 10 de outubro no Rio de Janeiro, cidade que vai sediar o 27º Congresso Mundial da União Internacional dos Arquitetos – UIA 2020 RIO.

O tema da II Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo foi “Todos os Mundos” – Rumo a UIA.2020.RIO”, em referência a esse grande evento internacional que será realizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em 2020, e que terá como lema “Todos os Mundos. Um só mundo. Arquitetura 21”. Dessa forma, a II Conferência deu início aos debates sobre o papel da Arquitetura tendo presente a realidade urbana do mundo contemporâneo, onde se expressam a diversidade e a multiplicidade das formas urbanas e dos modos de produção das cidades.

O Arquiteto Edison Lopes, Presidente da AsBEA, esteve presente e avaliou a temática de um ponto de vista urbanístico e ambiental, ponderando sobre as tendências de desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade e sobre a qualidade de vida nos grandes centros urbanos.

Sua crítica principal foi voltada ao urbanismo “rodoviarista”, adotado inconsequentemente ao redor do mundo por décadas e que se tornou um dos grandes vilões da poluição e mudanças climáticas. Alguns dados especialmente alarmantes: 75% das emissões de CO2 estão nas cidades. Fica claro que o problema não está na tecnologia dos carros, mas na concepção das cidades, que deveriam privilegiar moradia e trabalho juntos.

É urgente revisar a forma como as cidades crescem e se desenvolvem. É indispensável engajar as populações urbanas a usar menos o automóvel, a morar perto do trabalho, reciclar o lixo, cuidar das cidades como se fossem suas (e de fato são). Engajar a população significa criar as condições para que isso aconteça, em um ciclo virtuoso que envolve educação, cultura, planejamento urbano, arquitetura, ética e melhores condições econômicas e políticas.

Ainda, devem ser revisados imediatamente os conceitos de habitação social. É evidente o equívoco de um dos conceitos centrais envolvidos na produção de habitação de interesse social no Brasil: a sistemática criação de conjuntos em zonas periféricas, afastando cada vez mais esta população dos centros urbanos, onde elas deveriam estar, ou seja: perto dos eixos de transporte público, dos empregos, dos centros culturais, escolas, hospitais, museus, parques... O problema não é apenas de mobilidade.

Aos centros urbanos temos ainda outro destino devastador: abandono e degradação.

As soluções não são fáceis, requerem criatividade, tolerância e aceitação; bons políticos, empresários e arquitetos; coragem para fazer coisas simples e imperfeitas em ações pontuais que criem rapidamente uma sinergia em toda cidade; planejamento em todas as iniciativas e recursos para as ações grandes e complexas.

Este planejamento deve começar rápido, mesmo sem todas respostas, e permitir a opinião e a participação da população.

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